15/2/08
A infância e a paz
Adelaide Consoni
Não se faz necessário dizer que as crianças em todo o mundo não podem ter nenhuma perspectiva de PAZ.
Aliás, existem hoje mais de 300.000 crianças envolvidas nas guerras pelo mundo. Elas são seqüestradas de suas casas, escolas e o primeiro exercício que são obrigadas a fazer é matar o seu melhor amigo. Estes sinais são a ponta de um imenso iceberg que nos desvela um mundo onde o respeito pela vida e pela dignidade humana é algo que temos em condição de muito baixa visibilidade. Penso ser inconcebível a barbárie a que são submetidas as crianças e adolescentes em todo o mundo.
A IPA - Associação Internacional pelo Direito da Criança Brincar é considerada mensageira da PAZ pela ONU, por suas ações educativas desenvolvidas em 55 países do mundo. Todas as ações por nós desenvolvidas são centradas no lúdico, pois entendemos que é a melhor forma de educar as crianças para a convivência familiar e comunitária. Para nós o brincar é uma coisa muito séria, não é um mero passatempo, é uma forma de vida.
Diante de tantas lesões aos direitos mais elementares da pessoa humana, sobretudo as crianças e os adolescentes deste país, o que vemos nesta década e fim de século é uma absurda crise de uma sociedade sem valores. É fundamental refletirmos a qualidade de vida a que estamos submetidos.
Temos consciência de que, em uma sociedade com tantas dificuldades, em garantir a própria sobrevivência de suas crianças e adolescentes, garantir o direito de brincar pode parecer supérfluo e dispensável.
É preciso porém que reflitamos sobre que espécie de vida queremos para as gerações futuras: uma vida solidária e compartilhada, plena de sentimentos harmônicos, apesar das dificuldades, ou uma vida marcada pelo individualismo, ódios e violência. A resposta está em nossas atitudes hoje, e lutar pelo direito de brincar, é lutar pelo direito à alegria, ao afeto e ao companheirismo.
Assim penso ser fundamental a educação para a PAZ . Sem isto me parece que a palavra PAZ não passará de mais um lenitivo para nossos ouvidos.
Uma educação para a PAZ, sob a minha ótica implica necessariamente que temos que evidenciar uma educação dos valores humanos e não dos "haveres humanos".
Esta educação para a PAZ deve outorgar uma importância clara e a criação de "climas de PAZ". Estes climas devem ser permeados de valores de liberdade, de criatividade, de sinceridade, de amizade, beleza, justiça, diversidade, união, solidariedade e a bondade.
Porque uma educação para a PAZ? Tenho três razões para apontar isso:
1 - A necessidade de tecer e fazer coesão aos valores humanos como um eixo para a PAZ, que representa uma das mais nobres aspirações humanas; um horizonte utópico cujo trajeto têm na PAZ o único caminho possível para o progresso das pessoas, e todos os valores humanos são causas de PAZ.
2 - A necessidade de interrelacionar e amplificar a dimensão individual (PAZ interior) e a dimensão social (PAZ no entorno social). A PAZ não é uma política externa a pessoa, sim um compromisso pessoal e coletivo em todas as esferas da vida e tem uma dimensão política e estrutural que vai mais além das pessoas e de suas relações.
3 - A necessidade imperiosa de colocar na agenda do terceiro milênio otimismo e esperança, mas também idéias e convicções claras. PAZ não é neutralismo, PAZ não é ausência de conflitos, PAZ não é passividade nem falsa tolerância. PAZ é plenitude, é um processo de construção positiva. PAZ é cultura de reconciliação. PAZ não é resignar-se a um futuro violento para a humanidade. PAZ É TRANSFORMAR A HISTÓRIA.
Este é o desafio que me coloco, pois sei que temos condições técnicas e humanas para transformar o estabelecido.
As crianças de todo o mundo merecem e esperam a PAZ. É na intenção de ser digna delas que construo este texto, pois para mim a palavra PAZ nunca foi lenitivo para meus ouvidos. Tenho buscado transformar a história e criar espaços de PAZ.
criado por boleiz
10:24 — Arquivado em: 

Comentário por Abel Ribeiro dos Santos — 16 de fevereiro de 2008 @ 9:02
É isso aí caríssimo Flávio. Comungo desta esperança de ensinar às nossas crianças uma paz de atitudes nobres a partir do caráter. Nossas crianças estão, podemos dizer, DESCARACTERIZADAS, num turbilhão de falsos modelos. Nossa missão de educadores é dar um norte, abrir espaços de diálogo na sociedade civil na construção da verdadeira paz.
Abel
Comentário por Flávio Boleiz — 16 de fevereiro de 2008 @ 16:57
Salve Abel!
Estou convencido de que você está certo.
A escola é uma instituição que, quando trabalha visando somento ao ensino de conteúdos, obra em contra-mão.
A grande maioria de nossas escolas funciona como instituição emburrecedora. Pelo exemplo, reproduz seres humanos oprimidos e passivos - verdadeiras vaquinhas de presépio!
“Abrir espaços de diálogo na sociedade civil na construção da verdadeira paz”, como você bem destacou, demanda revolucionar os métodos de ensino e a gestão do funcionamento escolar como um todo!
Seremos capazes de, pelo menos, iniciar essa revolução???
Abraço, mano Abel!!!
Flávio