17/3/08
EDUCAÇÃO BILÍNGÜE - O colégio
O Colégio e Suas Características
O Colégio Amália Domingues Soller é “uma instituição educacional fundada por um grupo de espanhóis que emigraram para São João, que contaram com a colaboração da Administração Educativa Hispana. Constitui-se em uma empresa binacional, de caráter particular, que tem como objetivo oferecer à sociedade uma educação de qualidade, criativa e inovadora e difundir a Língua e a Cultura Espanholas”. (Boletim do Colégio Amália Domingues Soller)
A partir já da Educação Maternal inicia-se o conhecimento da Língua e da Cultura Espanholas, exclusivamente em comunicação oral, através de aulas diárias ministradas por professores especializados. Seguindo a linha de impulsionar o ensino do Espanhol na Educação Infantil, o Colégio mantém uma classe de Maternal (três e quatro anos de idade) e outra de Jardim (quatro e cinco anos de idade) em Língua Espanhola. Esses dois grupos seguem utilizando apenas o Espanhol como língua de ensino e, posteriormente, no Pré (cinco e seis anos de idade), os alunos utilizarão a Língua Portuguesa para a alfabetização.
Como formação enquanto educador, o Colégio exige de seus professores conclusão no curso de magistério e graduação em nível superior.
Algumas Idéias Iniciais
Nosso país possui toda uma história de colonização por imigrantes que vieram primeiramente de nossa “metrópole mãe”, Portugal, e posteriormente outros indivíduos vindos de diversas regiões do planeta. Podemos encontrar na região Sul do Brasil, muitas comunidades formadas por imigrantes e seus descendentes, onde a cultura e a língua de origem estão muito presentes e compõem o ambiente local. São comunidades de origem italiana, alemã, finlandesa, holandesa, lituana, e tantas outras que se pode encontrar também nas demais regiões do nosso imenso país. Esses imigrantes trouxeram muitas contribuições não só para nossa cultura nacional brasileira, como também para caracterização da Língua Portuguesa, tal qual é falada pela variedade de nosso povo brasileiro.
Para CONFORTIN & FERNANDEZ “o bilingüismo, fenômeno existente em muitas comunidades do país, deve merecer atenção sempre maior a fim de que não se extingam culturas que serviram de base para a história lingüística do Brasil”. (1993)
Se para essas comunidades se faz importante a atenção em relação ao fenômeno do bilingüismo, para outras cidades e regiões onde esse fenômeno não se encontra presente, não menos importante se faz a atenção que se pode e deve voltar para as experiências de fomento e manutenção da língua e cultura, entre seus descendentes, de indivíduos advindos de países que serviram de fonte para a imigração que desencadeou a formação de nossa sociedade.
É importante destacarmos que é muito particular a experiência de um ensino bilíngüe no Brasil, nos moldes do desenvolvido pelo Colégio observado com os idiomas Português e Espanhol, uma vez que o mesmo não está inserido dentro de uma comunidade especificamente bilíngüe. Desconhecemos no Brasil a existência de alguma comunidade bilíngüe que fale Espanhol; a não ser o caso dos moradores de cidades fronteiriças, nas regiões que se delimitam com seus visinhos hispânicos.
Na cidade de São João, o comum e corrente, é utilizar-se a Língua Portuguesa; e fora do contexto doméstico de algumas famílias de origem hispânica e de alguns pouquíssimos ambientes mais específicos - como Consulados de países de Língua Espanhola e alguns Institutos hispanos -, não é nada comum observar-se as pessoas se comunicando em Espanhol. Por isso, é uma exceção muito particular o tipo de ambiente que se encontra no Colégio, que se compõe das características que descrevemos neste trabalho enquanto “mundo bilíngüe”.
Quanto ao ensino num ambiente que pretende ser bilíngüe, segundo Ignasi Vila “essa prática não se reduz ao contexto da aula, senão que inclui muitos mais aspectos dentre os quais cabe destacar a língua familiar dos escolares, a presença social das línguas que se utiliza na educação bilíngüe, a organização e distribuição das línguas ao largo do currículo, o conhecimento lingüístico do professorado e as motivações sociais ao aprendizado das línguas, as quais são independentes do tratamento social que se dá aos direitos lingüísticos das pessoas.” (VILA - 1995) Cabe, então, tomar-se uma postura criteriosa na construção do meio em que se dá o que se pretende seja uma educação de fato bilíngüe e bi-cultural, procurando-se identificar as especificidades que podem garantir essa prática.
Nossas observações deram-se a partir de cerca de um mês e meio do início das aulas. Encontramos todas as crianças - cerca de cento e quarenta - plenamente adaptadas ao esquema da escola; inclusive cinco crianças originárias de países de Língua Espanhola que estão cursando Educação Infantil em Português.
O horário de permanência das crianças no Colégio se dá em dois períodos: matutino e vespertino, a saber.
O Colégio conta com modernos equipamentos, sendo os móveis muito bem adaptados às idades e tamanhos das crianças. Há muitos brinquedos, livros bem dirigidos às faixas etárias, uma biblioteca muito rica e completa, com muitas obras em Língua Portuguesa e em Língua Espanhola para todas as faixas de idade, computadores e uma grande variedade de materiais didáticos, musicais e audiovisuais também em ambos os idiomas.
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