Fórum Educação

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13/5/08

Promover a vida a partir da cotidianidade

(Da obra “Ecopedagogia e cidadania planetária”, de Francisco Gutiérrez e Cruz Prado)

Para criar espaços na vida cotidiana a partir dos quais se promova a vida deve existir um requisito prévio: senti-la,  mas senti-la visceralmente, amando-a, desfrutando-a, cantando-a e celebrando-a.

Apenas aqueles que sentem a alegria de viver e têm o prazer da existência podem fazer da vida um espaço de aprendizagem. A partir da cultura da morte não é possível promover e nem defender a vida.

Encontrar sentido para a vida é saber responder dia a dia e momento a momento o por que e para que vivemos; é fazer esforços para sair da prostração, da indiferença e da falta de vontade de viver; é gerar o entusiasmo como portador de vida pessoal e como o potencial sinergético para irromper de forma positiva na vida dos outros seres do planeta.

Ao sentirmos a vida, seremos congruentes. A congruência é um valor que toma sua força na própria vida: “nós, seres humanos, vivemos nosso ser cotidiano em contínua imbricação com o ser dos outros.” (MATURANA, p. 63, 1992)

A congruência nos leva à tomada de consciência ecológica, espiritual e cósmica como a primeira chave de nosso agir humano que, inclusive em escala gaiana*, deve iniciarse com passos pequenos, tangíveis e concretos. O processo pedagógico é esse caminhar cotidiano que busca, promove e fomenta a vida.

Entrar em sintonia com a vida de todo o cosmos exige do ser humano um esforço cotidiano em três dimensões: ·esforço para conseguir a congruência entre corpo e equilíbrio;

·buscar permanentemente a interdependência e interrelação entre todos os seres do cosmos; e

·a celebração gozosa e criativa do dom da vida. A vida toda deveria ser uma celebração, mas para conseguir isso é importante promover momentos específicos de celebração: nascimentos, colheitas, aniversários, acontecimentos históricos e acontecimentos significativos do viver diário.

 
A qualidade de vida — expressão tão manuseada e desvirtuada nos dias de hoje — é proporcional à proximidade com a natureza e o seu desfrutar. Para qualificar a vida é essencial reaprender a desfrutá-la,
gozá-la e a realizarnos nessa diversão, desfrute e prazer.

A cultura de sustentabilidade tem de levarnos a saber selecionar em nossas próprias vidas o que realmente é sustentável e jogar fora o que de verdade não é. Nesse sentido, será preciso que consigamos vibrar no ritmo da vida, para sentir nossa própria vida em contágio com a vida dos outros seres. Só assim seremos cúmplices nos processos de promoção da vida. Criar vida é, portanto, criar a cultura de sustentabilidade.

*Gaia – a deusa mãe de Zeus, na Mitologia Grega, que se converteu no planeta Terra para que este se constituísse no reinado de seu filho. O paradigma “gaiano” propõe a Terra como organismo vivo que reage a toda ação dos homens.

MATURANA, Humberto. “Todo lo dice un observador”; IN: Gaia, implicaciones de la nueva Biología. 2. ed., Barcelona (España): Kairós, 1992.

criado por boleiz    10:57 — Arquivado em: Ecopedagogia

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