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23/6/08

A Carta da Terra e a nova cultura da água - II

Mas aqui nos perguntamos: diante desse quadro que se apresenta à nossa realidade atual, como é que se pode viver um cotidiano militante como sujeitos amantes da condição humana? Como deve ser nossa ação, se queremos estar engajados na busca de uma transformação mundial? O que devemos fazer para construirmos um mundo diferente que garanta, às novas gerações, e a toda humanidade, melhores condições de vida, de igualdade, de justiça, de inclusão e inserção social; ou seja, um mundo melhor?

Buscamos respostas a essas perguntas, e elas sempre estiveram presentes em todas as épocas: desde os diálogos de Sócrates retratados por Platão na Grécia antiga, até nossos dias, em que estão tão latentes.

A ideologia hegemônica tem disseminado valores imorais, anti-éticos, desrespeitosos para com a condição de dignidade de toda a comunidade de vida do planeta. Nossas relações para com o meio
ambiente tem se desenrolado de maneira, digamos assim, antropofágica; pois as relações de poder tal como se apresentam em nossa conjuntura atual, só tendem a confirmar a velha expressão que
afirma que “o homem é o lobo do homem”. O ser humano tem se apresentado a seu semelhante como o mais temível e terrível de todos os predadores da natureza, incluindo toda a comunidade de vida e, mesmo, a sua própria espécie.

Precisamos mudar essa situação e inverter esses valores. Precisamos re-humanizar a espécie humana. Precisamos criar novos modelos que valorizem a sustentabilidade de nosso Planeta e de cada um dos entes que o habitam. Para tanto, precisamos conceber novas maneiras de viver e conviver, pautadas no equilíbrio das relações humanas que garantam a inserção social, a paz e a liberdade para toda a comunidade de vida.

O preâmbulo da Carta da Terra nos alerta para a necessidade de mudarmos a direção de nossa história. Ela nos diz que “estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que no meio da uma magnifica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum. Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela
natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que, nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.”

Como temos agido em nosso próprio cotidiano pessoal e familiar, em nossa prática profissional e em nossas relações com os fazeres diretamente ligados ao exercício de nossa cidadania? E já que falamos em cidadania, precisamos dizer que não nos referimos a uma cidadania regionalista ou nacionalista, mas a um novo modelo de cidadania, comprometido com cada ser vivente e por viver em nosso Planeta. Uma cidadania planetária.

Muitos pensadores têm-se referido à Terra como um organismo vivo, que age e interage em consonância com estímulos que recebe de todo seu entorno universal — ou seja, os estímulos que vêm do Cosmos, de fora. Além disso, a Terra recebe outros estímulos de sua própria superfície. São as conseqüência das ações de seus próprios habitantes. Não há muito que fazer quanto aos estímulos externos, isso é certo. Entretanto há muito o que fazer, muitas ações que se pode implementar desde já, no que diz respeito aos estímulos de superfície que os próprios homens têm aplicado à nossa Mãe-Terra. A Carta da Terra nos convida a refletir sobre isso, já.

Quando se fala em sustentabilidade e preservação ambiental, pensa-se logo nas ações que os governos, as grandes empresas e as grandes organizações não governamentais podem e devem implementar. Por exemplo, políticas de combate à poluição, ações que lutem contra a destruição e degradação do mundo. De fato essas ações são importantes e necessárias, mas não são suficientes. Precisamos, cada um de nós, adotar novos padrões de vida.

criado por boleiz    10:29 — Arquivado em: Ecopedagogia

1 Comentário »

  1. Comentário por Paulina Christov — 18 de agosto de 2009 @ 15:53

    Flavio

    Seu comentário é qualificado, concordo com a afirmação de que todos somos responsáveis, sem as atitudes pessoais de mudança nada acontece no coletivo.
    Registro a esperança que nos move na missão com a ultima frase da CT:Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

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