Fórum Educação

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26/9/08

O educador especialista e a educação da criança

Flávio Boleiz Júnior

A educação para a cidadania engloba uma série de saberes que extrapolam os aprendizados meramente didático-pedagógicos. Para dar conta das necessidades das crianças no que diz respeito a sua socialização secundária, a escola não pode abrir mão do trabalho docente de alguns especialistas que, mais que complementar a educação pedagógica, garantem um aporte de qualidade aos ensinamentos escolásticos que a escola oferece normalmente aos educandos.

Não é por acaso que as crianças gostam tanto das aulas de Arte, Música, Educação Física, dentre outras oferecidas por especialistas. Essas aulas fogem do paradigma jesuítico bem enquadrado utilizado no modelo escolástico utilizado no mais das vezes pelos professore polivalentes (muito mais “valentes” do que “poli”, na verdade.). As aulas com os tais professores especialistas são as mais divertidas e interessantes. São momentos em que a crianças é colocada em contato, dentro de um plano docente de relação com o adulto, com outra forma de abordagem do conhecimento, que não aquela que se realiza na mesmice da carteira enfileirada entre quatro paredes.

As aulas de Arte configuram um momento semanal de contato com idéias e técnicas de expressão que vão muito além da leitura da palavra escrita, possibilitando ao educando projetar-se para o mundo em que se escreve sem letras e se lê sem palavras: o mundo da imagem, do sentimento e da expressão do próprio âmago.

Em Educação Física o estudante, sob a coordenação de um profissional que conhece e pode zelar pelo bem-estar físico-corporal de cada um, coloca-se em atitude contínua de aprendizagem pela ação que se desencadeia a partir do conhecimento do próprio corpo e do corpo de outrem, nas oportunidades de conhecerem fisicamente o que poderão descrever, explicar, refletir, pensar e reconstruir cognitivamente por meio de outras formas de expressão e aprendizado.

A Música, além de proporcionar às crianças o convívio com uma matemática aplicada de maneira deliciosa em cada compasso — quando tocamos ou cantamos realizamos uma série de operações matemáticas sem nos darmos conta disso —, lhes dá a oportunidade de aprender a importância das pulsações e do ritmo nos afazeres do dia-a-dia.

É claro que Arte, Música e Educação Física poderiam ser oferecidas aos alunos pelas professoras polivalentes sob uma supervisão de profissionais tecnicamente preparados para lhes dar suporte, mas seria o mesmo que oferecer aprendizado de escrita e leitura por meio de babás sob supervisão de professores que lhes assessorassem.

Como lugar socialmente eleito pela sociedade para socialização dos indivíduos das novas gerações, a escola pode e deve oferecer às crianças as possibilidades de contato com saberes e aprendizados de valor que não se concretizam no trabalho pedagógico stricto sensu. Negar tais possibilidades às crianças seria contradizer o próprio papel social da instituição escolar.

criado por boleiz    0:56 — Arquivado em: Ecopedagogia, Educação, Pedagogia

4 Comentários »

  1. Comentário por pri — 26 de setembro de 2008 @ 9:06

    Sabe que eu estava pensando nisso nessa última semana…

  2. Comentário por Selma Moura — 27 de setembro de 2008 @ 2:23

    Esse é um assunto bastante complicado… pensando na educação infantil e no ensino fundamental, podemos nos questionar sobre o papel do professor polivalente, e sua necessidade de educar e cuidar levando em conta as áreas de conhecimento… que responsabilidade…
    Creio que é possível, pois é o que faço há 15 anos, mas é difícil, precisamos nos desdobrar…
    Por outro lado, não creio que a solução passa por uma mudança para professores especialistas em cada área nessas etapas do ensino. Creio que a probabilidade de fragmentação do conteúdo, aliada a uma falta de tempo maior na licenciatura, são questões a considerar.

  3. Comentário por pri — 30 de setembro de 2008 @ 10:56

    será mesmo que o fato da criança ter contato com apenas um professor garante a não fragmentação do conteúdo? Também não concordo com a segmentação do conhecimento humano em áreas, como se tudo pudesse ser guardado em gavetas separadas. Mas me incomoda bastante tratar tudo na superficialidade. Falar de tudo um pouco, sem efetivamente estar falando de nada. Repetir e prolongar equivocos conceituais por deficiências na formação. E será mesmo que não é possível um outro caminho? Será que o trabalho integrado entre profissionais é mesmo uma utopia? Será que a parceria não possibilita a real participação de educadores de várias áreas, em profundidades bem mais ricas?

  4. Comentário por pri — 2 de outubro de 2008 @ 22:13

    para por mais lenha na sua fogueira, Flávio…
    http://www.ceart.udesc.br/revista_dapesquisa/volume1/numero2/plasticas/TEXTO_ENSINO_FAUND%5B2%5D%20Tere.doc

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