Fórum Educação

Este espaço virtual destina-se à divulgação, debates e muita reflexão em torno de temas ligados a Educação, Pedagogia e Ecopedagogia.

13/2/09

Estou mudando de endereço…

 Olá pessoal!

 

Meu blog está mudando de endereço!

Peço que visitem meu novo blog em:

http://blog.forumeducacao.zip.net

Espero que gostem!

criado por boleiz    20:31 — Arquivado em: Ecopedagogia, Educação, Pedagogia

1/2/09

Belém - 30/01/2009 (FSM)

“Um outro mundo é possível se a gente quiser!”

 

     Ontem foi nosso último dia aqui em Belém. Nesta madrugada voltamos para São Paulo recarregados pela certeza de que queremos, podemos e devemos lutar para mudar o mundo.

Para “variar” amanheceu um dia quente! Pela manhã fui sozinho para a UFRA, enquanto a Fabi focou “fazendo coisas” na cidade.

 

     Tomei meu café da manhã e saí para uma mesa sobre o “Projeto Ética para a Biosfera”. Novamente meu destino era a UFRA! Tive sorte e não peguei muito trânsito. Talvez tenha me ajudado o horário, já que fui muito mais cedo do que de costume para a Universidade. Claro que, lá chegando, peguei uma “bike express” para me deslocar até o Bloco Central novamente! Mesmo cedo, o campus da UFRA já pululava de gente caminhando, cantando, “marchando” pelas ruas a caminho das diferentes atividades que se realizariam por ali!

 

     A atividade de que participei foi organizada por duas pessoas muito simpáticas que tive o prazer de conhecer desde o primeiro dia do Fórum, no momento do credenciamento; e com quem eu já vinha me correspondendo por e-mail há dias, por indicação da Alicia Jimenez, da Carta da Terra Internacional, da Costa Rica. São eles: Kathryn Kintzele, do Center for Humans and Nature e por Patrick Blandin, do Muséum National d’Histoire Naturelle de Paris. Kathryn é uma moça muito simpática, advogada especialista (pós-doutora) em Desenvolvimento, Ética e Leis — uma moça loira, miudinha e enormemente simpática e inteligente. O Patrick é professor do Departamento “Homens, Natureza e Sociedade” (Département Hommes-Natures-Sociétés),  estudioso — e apaixonado, conforme ele mesmo se define -  por borboletas e por ecologia. É um rapaz muito simpático e atencioso que preside o Comitê Francês da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza — vejam http://www.iucn.org/es/sobre/ ).

 

     Juntamente com o pessoal do Departamento Agenda 21 Local do Ministério do Meio Ambiente do Brasil (MMA), o Projeto Ética para a Biosfera vem desenvolvendo pesquisas, observações e desenvolvendo iniciativas locais com vislumbres globais com vistas à construção internacional de um código de ética que leve em consideração a conservação da natureza para os fazeres humanos. A pessoa que representa nosso país nesse projeto é a Káthia Matos, coordenadora do importante trabalho voltado para a elaboração das Agendas 21 locais no Brasil.

 

     Nessa atividade discutiu-se a importância da implementação da Agenda 21 para as diferentes cidades do Brasil, com relatos de participantes do processo Agenda 21 Local nas cidades de Contagem (em Minas Gerais, na Brande Belho Horizonte) e em 5 municípios da Região Metropolitana do Rio de Janeiro, no entorno da Baía de Guanabara — com incentivo e apoio da Petrobras.

 

     A Carta da Terra é parte integrante de todos esses projetos de Agenda 21, com seus princípios e valores observados e presentes intensamente.

 

     Após as apresentações dos trabalhos, a platéia pôde se manifestar e fazer perguntas, dando origem a um debate bem interessante. Havia gente do Brasil, do Canadá, Estados Unidos, França, Espanha, Peru, Filipinas e outros países mais.

 

     Quando me foi dada a oportunidade de me manifestar, propus uma reflexão acerca de duas contradições que se destacavam a partir das atividades ali relatadas. Primeiramente destaquei que, curiosamente, o Ministério do Meio Ambiente do Brasil utiliza e divulga a Carta da Terra, mas o Governo Brasileiro não a assinou até hoje. Em segundo lugar pontuei a atuação da Petrobras como incentivadora dos projetos de Agenda 21 no entorno da Baía da Guanabara ao mesmo tempo em que se destaca como grande poluidora, derramadora de petróleo e óleo naquela mesma região.

Pedi que todos atentassem para a importância de irmos transformando nossas atitudes pessoais com relação aos valores que dizemos defender. Afinal de contas, do ponto de vista institucional as atitudes do MMA, utilizando e “pregando” os valores da Carta da Terra, lhe dão um ar de muita seriedade sócio-ambiental, mas o Brasil não assina a Carta da Terra por não concordar com as recomendações pelo fim da utilização de tecnologias nucleares. Por outro lado a Petrobras alardeia em suas propagandas um grande comprometimento social, investindo “rios” de dinheiro em políticas de responsabilidade social”. Entretanto os valores que gasta nas iniciativas sociais caracterizam-se como ínfimas somas comparadas aos lucros da empresa, representando nada mais que políticas compensatórias que visam a dar um verniz humanizador à atividade altamente destrutiva que vem realizando há décadas.

 

     O debate esquentou e foi bem interessante.

 

     Na hora do almoço tomei outra “bike express” e corri para a portaria da UFRA, onde fui pegar meu ônibus para voltar para o centro da cidade. Terminava ali a minha participação no Fórum Social Mundial.

 

     Assim que passei o portão, que saí do Território do Fórum, dezenas de vendedores de tudo quanto é bugiganga se acotovelavam para oferecer suas mercadorias aos “forenses” que se retiravam da UFRA. Dei uma olhada ao redor, uma última mirada para dentro do Campus da UFRA e atenciosamente busquei gravar em minha memória a imagem panorâmica daquele lugar, da alegria ali presente e dos contrastes sociais que ali saltavam aos olhos. Passando os olhos pela paisagem social da rua do lado de fora da UFRA, percebi um grupo de jovens curiosos tentando enxergar além dos portões que os “prendiam” fora daquele “outro mundo possível” que se realizava ali dentro daqueles portões… Não resisti!!! Aproximei-me e perguntei: “— Vocês já entraram lá pra ver como as coisas estão rolando?”, ao que me responderam: “— Não tem jeito. Não deixam.” (fazendo sinal com a mão, estalando os dedos, querendo dizer que não tinham dinheiro para pagar a inscrição). Saquei meu crachá do pescoço, apanhei o da Fabi que estava em minha bolsa e entreguei a eles. Ganhei sorrisos de espanto dos quatro jovens! Agradeceram e, imediatamente, iniciaram a elaboração de um plano para ver quem ia primeiro conhecer aquele outro mundo…

 

     Peguei um ônibus e fui pra cidade. Me encontrei com a Fabi e fomos almoçar — comemos uma deliciosa “pescada dourada” frita na peixaria Alvorada, local muito simples, barato e gostoso, localizada na rua dos fundos do hotel mais chique da cidade.

 

     Em seguida fomos fazer compras no Mercado “Ver-o-peso”, que estava cheio de populares da própria Belém, misturados a centenas de pessoas portando bolsas de alça verde. Compramos ervas com “cheirinho do Pará”, castanhas, cerâmicas com inspiração marajoara, cestinhas de vime, cuias de comer Tacacá e Maniçoba e até — pasmem — uma camiseta do Corinthians com o número 9 e o nome do Ronaldo nas costas: encomenda do meu filho feita na última hora por telefone… he he he  Fui a Belém para comprar uma camiseta do “Timão”!!!

 

     E o Fórum continua!

 

     Ficarei atento, a partir de agora, à imprensa e às informações que possam ser colhidas pelas redes de comunicação (e-mails, principalmente).

 

     Vejamos que caminhos o Fórum Social Mundial e seus participantes tomarão a partir daqui!

 

 

criado por boleiz    17:52 — Arquivado em: Ecopedagogia, Educação, Pedagogia
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