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23.06.08

A Carta da Terra e a nova cultura da água - III

categorias: Ecopedagogia

Ao assumirmos a condição de cidadãos planetários devemos adotar, necessariamente, o respeito por todos os demais seres vivos, independentemente de que seres sejam ou de onde estejam. A Carta da Terra nos alerta para o fato de que “a capacidade de recuperação da comunidade de vida e o bemestar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.”


Como cidadãos planetários, precisamos passar a viver pautados em valores que perpassem todas as ações de nosso dia-a-dia, desde as mais simples até as mais complexas. Ações cotidianas que vão desde nossa higiene pessoal com um banho mais rápido para economizar água e energia, até o engajamento em projetos de luta pela igualdade e a inclusão social das minorias.


A Carta da Terra apresenta quatro princípios básicos, subdivididos em 16 itens que buscam propagar uma nova maneira sustentável de vida. Ela nos ensina que precisamos “respeitar a Terra e a vida em toda a sua diversidade”, reconhecendo a interdependência de todos os seres vivos e afirmando a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e de todos os demais seres vivos.


Precisamos “cuidar da comunidade de vida com compreensão, compaixão e amor”, preservando o meio ambiente e impedindo danos ambientais, respeitando e protegendo os direitos das pessoas e assumindo a responsabilidade pela promoção do bem comum.

 

Necessitamos “construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas, sustentáveis e pacíficas”, que assegurem os direitos humanos e as liberdades fundamentais, promovendo a justiça econômica e social além de uma subsistência significativa e segura que seja ecologicamente responsável.


Devemos “garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras gerações”, reconhecendo que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.


É preciso “proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra com especial preocupação pela diversidade biológica e pelos processos naturais que sustentam a vida.”


Precisamos nos conscientizar de que devemos “prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução”.


Temos que mudar o modelo econômico consumista e destruidor dos bens naturais e “adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam as capacidades regenerativas da Terra, os direitos
humanos e o bem-estar comunitário.”


É preciso “avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover o intercâmbio do conhecimento adquirido e sua aplicação”, apoiando a cooperação científica e técnica internacional relacionada à sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações pobres do Planeta.


Não é possível imaginarmos a construção de um outro mundo, sem “a erradicação da pobreza como imperativo ético, social e ambiental”.


Precisamos “garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável”.


A Carta da Terra nos alerta, ainda, para a necessidade de se “afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos para o desenvolvimento sustentável e assegurar o acesso universal à educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.” É preciso “defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social que seja capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e das minorias”.

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